Quitridiomicose e a relação com o desmatamento e a fragmentação de habitats

March 30, 2018

A quitridiomicose está dizimando não apenas as espécies conhecidas de anfíbios, mas centenas ainda desconhecidas da ciência. Na doença, o fungo Batrachochytrium dendrobatidis se instala na pele, afetando a respiração e a fisiologia dos hospedeiros. O Batrachochytrium dendrobatidis no Brasil, é endêmico na Mata Atlântica, onde infecta inúmeras espécies, com maior ou menor sensibilidade. Entretanto, a doença está espalhada pelas três Américas e também atinge a Austrália, Europa, Nova Zelândia e partes da África.

 

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No artigo publicado em uma revista inglesa, pesquisadores brasileiros analisaram como a interação entre o desmatamento e o “microbioma” da pele dos anfíbios, pode afetar a respiração e a fisiologia dos atingidos pelo fungo causador da quitridiomicose.

 

O “microbioma” funciona como uma espécie de ecossistema que dificulta a ação de patógenos invasores. Para verificar qual seria a composição do “microbioma” na pele dos anfíbios da Mata Atlântica, habitando áreas de mata contínua ou mata degradada, os pesquisadores escolheram uma espécie que não fosse exclusiva e que pudesse ser encontrada em ambas as localidades. A espécie escolhida foi então a pererequinha-do-brejo (Dendropsophus minutus), com moderada tolerância ao fungo e distribuição ampla na Mata Atlântica, tanto em ambientes de mata fechada como em áreas fragmentadas ou abertas.

 

Foi realizado o sequenciamento genético do material cutâneo coletado de quase 200 indivíduos. O processo gerou uma lista de bactérias presentes em cada indivíduo e em qual abundância. Os pesquisadores empregaram técnicas estatísticas para estabelecer relações e inferir padrões na base de dados. Pela abordagem molecular, foi verificado a carga de infecção do patógeno em relação à diversidade da biota cutânea de cada indivíduo. A partir do banco de dados, foram gerados outros índices de diversidade, como o número de espécies de bactérias, sua abundância relativa e sua diversidade filogenética.

 

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Foi observado, em áreas abertas ou degradadas, que a composição do “microbioma” cutâneo é menos diversificada em termos de espécies de bactérias e menos homogênea entre os indivíduos. Em contrapartida, nas áreas de floresta íntegra a composição do “microbioma” dos indivíduos estudados mostrou-se mais homogênea e mais diversificada em termos de microrganismos.

 

Os autores do estudo constataram que nas D. minutus dos ambientes de floresta natural a diversidade do “microbioma” era maior. E então concluíram que o desmatamento diminuiu a diversidade da microbiota cutânea das pererequinhas, levantando uma forte hipótese que este empobrecimento da microbiota aumenta o risco de infecção pelo fungo, porém ainda não podendo ser afirmado com 100% de certeza.

 

Futuros estudos podem confirmar ou não esta hipótese, mas o que temos de mais importante é que este estudo inicia mais uma discussão dentre tantos outros motivos, da importância da preservação das florestas, gerando mais uma ferramenta e argumento para políticas públicas de preservação e conservação da fauna e seus habitats.

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