GAMBÁ: FAMOSO PELO SEU MAL CHEIRO, AGORA SE TORNA UM GRANDE ALIADO NOSSO CONTRA OS ACIDENTES OFÍDICOS

March 19, 2018

PESQUISADORES DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ IDENTIFICARAM MOLÉCULAS CAPAZES DE NEUTRALIZAR AÇÃO DA PEÇONHA DE SERPENTES

 

          O Gambá (Didelphis sp.), também conhecido como timbu, cassaco, saruê entre outros nomes, devido a sua ampla distribuição em território nacional, faz parte de uma ordem conhecida como marsupiais, que é representada por animais que possuem um marsúpio, uma bolsa na região ventral onde ocorre o desenvolvimento dos filhotes que nascem prematuros. São animais generalistas que vivem nos mais variados habitats, apresentando comportamento predominantemente terrestre ou arbóreo. São noturnos e onívoros, se alimentando desde pequenos invertebrados a restos de comida humana e carniça.

 

Foto: Jairo Souza Jr

 

       Os gambás, por se adaptarem muito bem, muitas vezes são encontrados em ambientes urbanos e rurais, ondem compartilham o convívio com nós seres humanos. Acabam não sendo muito bem vistos pela sociedade, tanto pela falta de conhecimento em relação a espécie quanto aos mitos que rondam o animal. Porém essa relação não muito boa com os humanos está prestes a acabar!


         Pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) encontraram duas moléculas presentes no sangue dos gambás que possuem ação antiofídica e estão desenvolvendo estudos para o uso dessas moléculas para auxiliar quem sofre acidentes com cobras. Além disso, também esperam utilizá-las para tratar outras doenças como câncer e osteoartrite. "Em testes in vitro, elas foram eficientes contra o câncer de mama, por exemplo", afirma Jonas Perales, do Laboratório de Toxinologia, que coordena os estudos.

 

 

         As glicoproteínas DM43 e DM64 encontradas tem estrutura química parecida com substâncias produzidas pelo próprio sistema de defesa do organismo, embora não sejam anticorpos. Elas tornam o organismo do animal resistente a peçonha das serpentes do gênero Bothrops, que tem como representantes as jararacas, responsáveis pela maior parcela de acidentes envolvendo cobras no Brasil inteiro. “A proteína bloqueia efeitos locais do veneno, como hemorragia e edema, tarefa em que os anti-soros existentes não são tão eficientes”, diz o biólogo Jonas Perales da Fiocruz.

 

Foto: Igor Gouveia

 

        O medicamento que está sendo desenvolvido poderá estar no mercado em até 3 anos e é um providencial reforço terapêutico.

 

 

Texto: Igor Gouveia

@igorgouveias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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