Lagartos australianos estão mudando de sexo por conta da temperatura, aponta estudo

December 24, 2015

 

O sexo dos lagartos jovens prestes a nascer pode ser influenciado pela temperatura ambiente, bem como sua composição genética, descobriram pesquisadores australianos.

 

Este fenômeno nunca foi visto na natureza, anteriormente e a descoberta foi publicada na revista Nature.

 

Uma equipe do Instituto de Ecologia Aplicada da Universidade de Camberra fez a descoberta após observar dragões-barbudos - da família Agamidae -, geneticamente do sexo masculino, nascerem como fêmeas. Eles descobriram que esses machos que “trocaram de sexo” foram capazes de copular com machos normais para produzir descendentes férteis.

 

Embriões de répteis, geralmente, têm seu sexo determinado de duas maneiras: pela configuração de seus cromossomos, ou pela temperatura enquanto eles ainda estão no ovo. Estas duas estratégias poderiam ser mutuamente exclusivas, mas a nova pesquisa mostra que as populações dos lagartos podem mudar rapidamente, seja pelo sexo do cromossomo ou o sexo determinado pela temperatura, ao longo do aquecimento do clima.

 

"Nós já havíamos sido capazes de demonstrar no laboratório que, quando exposto a temperaturas extremas, lagartos geneticamente masculinos transformaram-se em fêmeas", disse a pesquisadora Clare Holleley. "Agora temos mostrado que estes indivíduos que reverteram o sexo possuem fertilidade, sendo um fenômeno que ocorre naturalmente".

 

A equipe fez a descoberta depois de estudar 131 lagartos adultos capturados na natureza, através de experimentos de reprodução controlados. Usando análises moleculares, eles foram capazes de mostrar que 11 dos lagartos com cromossomos masculinos eram, na verdade, fêmeas férteis, depois de ter seu sexo mudado ainda no ovo.

 

"Ao forçar a reprodução dos machos que viraram fêmeas com machos normais, poderíamos estabelecer novas linhas de melhoramento em que apenas a temperatura determinaria o sexo",disse Holleley. "Ao fazê-lo, descobrimos que estes lagartos poderiam desencadear uma rápida transição de um sistema geneticamente dependente para um sistema dependente da temperatura."Incrivelmente, estas fêmeas de sexo revertido botavam mais ovos do que as fêmeas “normais”.

 

A pesquisa fornece importantes insights sobre como répteis determinam o sexo de seus filhotes na natureza, e como isso pode ser afetado caso as temperaturas globais continuem subindo por conta da mudança climática.

 

A descoberta também mostra que a determinação do sexo dos animais não é algo tão definido, e abre a possibilidade de que outras espécies também possam ser capazes de mudar as estratégias de determinação do sexo, dependendo da temperatura.

 

"Os mecanismos que determinam o sexo possuem um impacto profundo sobre a evolução e a persistência de todas as espécies que se reproduzem sexualmente", disse Arthur Georges, ecologista sênior do Instituto de Ecologia Aplicada da Universidade de Camberra, que supervisionou a pesquisa. "Quanto mais aprendermos sobre eles, melhor equipados estaremos para prever respostas evolutivas de alterações climáticas e o impacto que isso pode ter sobre a biodiversidade a nível global”, concluiu.

 

Fonte: Jornal Ciência

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